SEMELHANÇA

De certo modo a alma humana é comparável ao solo comum.

Trabalhada com afinco, converte-se em despensa de luz, atendendo a necessidades e aflições com moedas de generosidade espontânea.

Desdenhada, transforma-se em charco lodacento, reduto de miasmas e de animais inferiores portadores de peste e morte, ou sarsal maldito onde repontam acúleos cruéis a ferirem indistintamente.

Os deveres concernentes à vida íntima são semelhantes aos cuidados que o jardim e o pomar exigem para a continuidade da produção vantajosa.

Nunca cessam as obrigações morais de assistência ao próprio espírito, na jornada evolutiva.

Nem os excessos de «vida interior» em flagrante desrespeito ao trabalho mantenedor do corpo, em forma de higiene, alimentação, vestuário e sociedade, nem o abuso de cuidados à máquina orgânica, que dispõe de recursos intrínsecos para a manutenção das próprias peças.

O jardim muito irrigado reduz-se a alagadiço comum onde a vida vegetal se faz impossível, tanto quannto relegado à canícula se apresenta vencido pelo pó, sem vitalidade alguma.

Como rasgas o solo para transformá-lo em pomar, umedecendo-lhe as camadas, assistindo-o com fertilizantes e vigilância contra as pragas e o tempo, revolve as disposições da alma, atira as sementes do bem e desdobra cuidados para que as pragas animais e as condições do clima não te anulem o esforço na renovação íntima, em busca da inextinguível luz da felicidade plena.

«Humildade e caridade, eis o que (Jesus) não cessa de recomendar e o de que dá, ele próprio o exemplo. Orgulho e egoísmo, eis o que não se cansa de combater. E não se limita a recomendar a caridade; põe-na claramente e em termos explícitos como condição absoluta da felicidade futura.»

Assegura o equilíbrio e a operosidade do espirito como o agricultor diligente zela pela produtividade do pomar, porque de certo modo a alma humana é comparável ao solo comum.

Joanna de Ângelis- Lampadário Espírita